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11/11/20 09:58

Pequenos empresários relatam dificuldades para pagar 13º neste ano

Em SP, 6 em cada 10 pequenas e médias indústrias apontam situação complicada para quitar o abono natalino

Folha de São Paulo

 

A crise econômica deflagrada pela pandemia do coronavírus agora é uma ameaça para o pagamento do 13º, especialmente entre pequenas e médias empresas. Pesquisa já contabiliza o tamanho do problema em São Paulo. Entre as pequenas e médias indústrias do estado, seis em cada dez projetam que terão dificuldades com o pagamento do 13º salário de seus funcionários e, na comparação com o ano passado, mais da metade diz que a situação está mais complicada agora.

Entidades de outros setores, que não chegaram a fazer sondagem sobre o tema, recebem relatos de pequenos negócios com o mesmo problema. Segundo boletim de tendências do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo), elaborado pelo Datafolha para monitorar os impactos da pandemia sobre os negócios, 24% dos empresários desse segmento declaram que será muito difícil pagar o abono de Natal.

Entre as pequenas indústrias, o índice chega a 30% e é de 33% na região metropolitana de São Paulo. Em relação ao fim de 2019, somente 11% disseram estar agora em situação melhor quanto às condições para o pagamento do abono. Para 36%, segue tudo igual.

Para o presidente do Simpi, Joseph Couri, a chegada ao fim de ano com problemas de caixa para pagar uma despesa previsível, como é o 13º salário, é resultado de uma combinação de fatores próprios dos desequilíbrios acentuados pela pandemia. “Primeiro, temos falta de dinheiro mesmo, pois o nível de acesso a crédito está muito baixo. Segundo, muitas empresas, sejam fornecedores ou clientes, faliram, fecharam ou estão em crise grave, o que resultou em uma quebra na cadeia de produção”, diz Couri.

Entidades que representam empresas menores têm recebido relatos sobre dificuldades para fechar as contas de final de ano. “A percepção é que muita gente vai ter dificuldade”, diz Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos (Associação Brasileira de Lojistas Satélites), que reúne pequenos lojistas de shoppings.

A esperança, diz ele, é que as medidas que suspenderam jornada e salário, e por conseguinte, reduzem a despesa com o 13º, possa dar alívio para alguns. “Os lojistas estão em dificuldades financeira, foram muitos meses fechados, tem gente com dificuldade até para pagar salário –a engrenagem quebrou”, diz Aldo Macri, presidente do Sindlojas (Sindicato de Lojistas do Comércio de São Paulo), que representa 30 mil lojista, especialmente do ramo de vestuário. Segundo Percival Maricato, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), pagar o 13º é um dos tantos problemas que os empresários do setor quebram a cabeça da resolver.

“Os empresários dizem que vão ter dificuldades para pagar não apenas o 13º, mas todas as contas”, diz Maricato. “Mais da metade dos estabelecimentos não faturam nem 40% do resultado pré-pandemia, e donos dos locais, que concederam desconto, agora pressionam para voltar o valor do original do aluguel.”

Segundo a entidade, há 1 milhão de bares e restaurantes no país. São duas as leis que tratam do 13º –uma cria a gratificação natalina e a outra define regras para o pagamento. Essa última prevê que que a data limite é sempre o dia 20 de dezembro. Entre fevereiro e novembro, o empregador pode antecipar os valores.

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